Pode um católico ser DeMolay?

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A Ordem DeMolay é uma sociedade discreta de princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, patrocinada pela Maçonaria, para jovens do sexo masculino com idade compreendida entre os 12 e os 21 anos. Fundada nos Estados Unidos dia 18 de março de 1919, em Kansas City, Missouri, pelo maçom Frank Sherman Land, é patrocinada e apoiada pela Maçonaria (Rito de York), oficialmente desde 1921, que na maioria dos casos cede espaço para as reuniões dos Capítulos DeMolay e Priorados da Ordem da Cavalaria – denominações das células da organização.

A Ordem é inspirada na vida e morte do francês Jacques de Molay, 23º e último Grão-Mestre da Ordem dos Templários, morto em 18 de março de 1314 junto a outros membros da Ordem supostamente por contestar as falsas acusações de pratica de diversos crimes, entre eles heresias e infidelidade à Igreja(versão maçom), arquitetadas pelo Rei Filipe IV de França, podendo-se acreditar que o motivo de tais acusações fosse a ambição de Filipe pelas posses da Ordem dos Templários, pois em caso de prisão, os bens do acusado passariam a pertencer ao Estado francês.

A Ordem DeMolay possui cerca de 4 milhões de membros em todo o mundo e mais de 200 mil no Brasil. O DeMolay que completa 21 anos de idade, é denominado Sênior DeMolay e passa a acompanhar os trabalhos do Capítulo através da “Associação DeMolay Alumni”. No Brasil, distribuídos em mais de setecentos Capítulos, os milhares de DeMolays regulares de todos os Estados da federação se reúnem frequentemente. No dia 08 de abril de 2008, o Estado de São Paulo estabeleceu o Dia do DeMolay, através da Lei Estadual nº 12.905, a ser comemorado anualmente no dia 18 de março. Em 19 de janeiro de 2010, foi promulgada a Lei Federal nº 12.208 que instituiu o dia 18 de março como o Dia Nacional do DeMolay, seguindo o exemplo paulista, sendo que a escolha da data marca o falecimento de Jacques de Molay.

PRINCÍPIOS

Os princípios da Ordem são baseados em “virtudes” como a fraternidade e o companheirismo, incentivando cada membro a trilhar seu caminho seguindo preceitos, que são considerados pela Ordem, diferenciais na vida de um líder e determinantes para seu destino.

Os baluartes da Ordem são a defesa das Liberdades:

“Religiosa” representada pelo Livro Sagrado.(Leia-se politeísmo, negando a Fé Católica)
“Civil”, representada pela Bandeira Nacional.
“Intelectual”, representada pelos Livros Escolares. (Fica aqui claro uma exclusão aos mais pobres e sem estudo) “Porque, para Deus, não há acepção de pessoas” [Rm 2,11]; e, ainda: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas” [At 10,34]

GRAUS

Assim como a Maçonaria possui o Corpo das Lojas de Perfeição após as Lojas Simbólicas, a Ordem DeMolay também se divide em dois Corpos. O primeiro, envolve os dois primeiros Graus: o Grau Iniciático e o Grau DeMolay, podendo ser comparado às Lojas Simbólicas. O segundo envolve os graus históricos, filosóficos e honoríficos, que compõe da Ordem da Cavalaria.

Os Graus básicos da Ordem DeMolay são o Grau Iniciático e o Grau DeMolay. Os DeMolays desses graus trabalham em Capítulos. Os Graus da Cavalaria são trabalhados em Conventos (ou Priorados)

Os pontos fundamentais da Maçonaria, embutidas na Ordem DeMolay, que são contrárias à fé católica. Tão contrárias a ponto do Papa Leão XIII escrever uma encíclica que diz:

“(…) Em presença desses fatos, simplíssimo era que esta Sé Apostólica denunciasse, publicamente a seita dos maçons como uma associação criminosa, não menos perniciosa aos interesses do cristianismo do que aos da sociedade civil. Decretou, pois, contra ela as penas mais graves com que a Igreja costuma fulminar os culpados, e proibiu filiar-se a ela.” (Encíclica Humanum Genus, Papa Leão XIII).

A maioria das crianças e jovens que ingressam na Ordem DeMolay são atraídos, muitas vezes, por seus mistérios. Desde muito cedo, enganam-se com os “bons” princípios que a ordem aparenta ter e, conseqüentemente, adquirem uma mentalidade maçônica. E se estão realmente com alguma boa intenção ao entrar na ordem, esses garotos são obrigados a deixar a sua vontade de lado, ao participar do ritual de iniciação onde não raramente são obrigados a executar prontamente as ordens recebidas de seus “irmãos” mais velhos sem questioná-las. Esta anulação da vontade das pessoas é péssima, pois não é a vontade dos outros que deve reger nossa inteligência, e sim a nossa reta razão, sempre com o foco nos ensinamentos de Nosso Senhor.

Outro ponto importante a se esclarecer é o malefício das entidades secretas e fechadas, como a Ordem DeMolay. Nessas entidades há uma hierarquia de ensinamentos que são transmitidos secretamente ao logo dos anos aos integrantes. Essa regra imposta por estas seitas é totalmente divergente da prática de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sempre pregou publicamente seus ensinamentos.

Há inúmeros documentos da Igreja condenando as sociedades secretas. Recomendo-lhe que leia atentamente a encíclica Humanum Genus, de Leão XIII, sobre a Maçonaria. Esse documento lhe trará bons argumentos contra a seita.

É importante também salientar que a Ordem DeMolay prega a liberdade religiosa. Ou seja, o integrante deve crer em Deus, e, ao mesmo tempo, não fazer distinção de credos. A Liberdade Religiosa sempre foi condenada pela doutrina católica, poi,s pretende nivelar todas as religiões – as falsas e a verdadeira. A Igreja Católica – a única esposa de Cristo não pode ser equiparada às falsas religiões. Da liberdade religiosa que leva ao indiferentismo religioso, disse Gregório XVI:

“Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda a parte, graças aos enganos dos ímpios e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do reto e honesto. Podeis com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só batismo (Ef 4,5): entendam, portanto os que pensam poder-se ir de todas as partes ao Porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo (Lc 11,23) e os que não colhem com Cristo dispersam miseravelmente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha (Simb. Sancti Athanasii).(…) Desta fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errônea, digo melhor disparate, que afirma e que defende a liberdade de consciência. Esse erro corrupto que abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estende por toda parte, chegando a imprudência de alguém asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que mortepior há para a alma do que a liberdade do erro?, dizia Santo Agostinho (Ep. 166)” (Encíclica Mirari Vos, Papa Gregório XVI, apud. Fora da igreja não há salvação).

E mais, a Ordem Demolay diz que não se ensina nenhum credo em seus capítulos, e o que vale é a opinião “sagrada” de cada um a respeito de Deus. Ora, além de instigar uma soberba em seus adeptos, isso fortalece uma mentalidade subjetivista em seus membros que aos poucos passarão a odiar o Deus verdadeiro por causa de suas regras, leis e dogmas infalíveis. É a vitória do “eu acho” sobre a verdade.

Ao contrário do que a Ordem Demolay ensina, um católico deve saber que as virtudes cardeais são quatro e não sete: fortaleza, prudência, temperança e justiça. E as virtudes que se opõem aos vícios capitais não são virtudes cardeais. Veja a esse respeito o comentário ao Pai Nosso de Hugo de São Vítor.

Sete são as virtudes, englobando as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Como são virtudes teologais, e, portanto sobrenaturais, nos são dadas por Deus com a graça santificante.

Porque na maçonaria não se fala em virtudes teologais, só em virtudes puramente filantrópicas, humanas? A Maçonaria segue o que podemos dizer de “religião do homem” ou do culto ao homem. Portanto ela omite as virtudes teologais, que nos submetem a Deus. O que a maçonaria quer é servir ao homem, e não a Deus.

A Filosofia da Irmandade Universal é defendida por grupos gnósticos, como os teosofistas seguidores de Madame Blavatsky, que até são satanistas – para mostrar o “amor” que eles têm pelas coisas sagradas – e que acreditam que todas as pessoas possuem dentro de si uma partícula divina e estariam, por assim dizer, ligados todos entre si numa Irmandade Universal. Por esse motivo a maçonaria prega o culto ao homem, pois acredita que ele seja “o deus” – pelo fato de todos terem esta partícula divina.

Vê-se claramente que esta teoria gnóstica, que os demolays devem aprovar como ponto fundamental para a iniciação na Ordem é totalmente contrária ao Catolicismo. Você pode encontrar no site mais informações a respeito da gnose e sua relação com a maçonaria. Veja, por exemplo, a citação a seguir:

“A Gnose afirma que o Criador do Mundo é mau, e que seu inimigo, que aparece na Bíblia com o nome de serpente e Lúcifer, ele seria o deus bom. A Gnose afirma que o Deus que nos criou aprisionou uma partícula divina na matéria, e que, por isso, toda matéria seria má. Deste modo, ruim ter corpo, nascer e viver. Mau seria o casamento pois permitiria aprisionar novas partículas divinas na matéria corporal. Má seria a mulher, por ser o instrumento que usaria o Deus Criador para manter a divindade presa no universo.”

DEMOLAYS E A COMUNHÃO

Pois bem, se um jovem entra na Ordem Demolay, e se submete às práticas da entidade, ele já inicia um processo de negação aos verdadeiros ensinamentos da doutrina católica. Para que este jovem possa comungar é necessário antes que deixe a instituição, se arrependa de a ela ter pertencido e tenha o firme propósito de a ela não retornar, confessando-se com um padre e este propósito deve vir junto com atos de reparação pelo pecado. Assim, por exemplo, alguém que rouba deve procurar restituir aquilo que roubou se quiser obter de Deus o perdão pelo pecado. A confissão não é válida se o cristão não está arrependido de seus atos e nem possui o propósito de reparar o mal cometido e nunca mais tornar a cometê-lo.

Primeiras Condenações papais

Desde muitos séculos a Igreja tomou posição contra esta corrente de pensamento, destacando assim que nunca ouve conciliação ou haverá com a Maçonaria. A maçonaria preserva ritos pagãos e outros muitos costumes além de seus símbolos há séculos luta contra a Igreja. Vejam alguns dos papas que condenaram publicamente essa seita secreta, com excomunhão.

1 – Clemente XII – Bula “In eminenti” -1738.

2 – Bento XIV – Bula “Provida Romanorum Pontificum” – 1751.

3 – Pio VII – Bula “Ecelesian a Jesus Christo” – l800

4 – Leão XII – Bula “Onde .Graviora” – 1823.

5 – Pio VIII – Encíclica de 20/3/1829.

6 – Pio IX – Encíclica “Omi Pluribus” = 1864 – Alocução de 20/4/1864 – Encíclica Nascita et Nobiscum – 1894 – Constituição Apostólica “SEDIS” – 1869

7 – Leão XIII – Encíclicas de 1872, 1878, 1884 e 1892.

Como vemos inúmeros foram os papas que já denunciaram a ação da maçonaria contra a Igreja veja um exemplo nos trechos abaixo:

“Na nossa época, os fautores do mal parecem haver-se coligado num imenso esforço, sob o impulso e com o auxílio de uma Sociedade difundida em grande número de lugares e fortemente organizada, a Sociedade dos mações . Estes, com efeito, já não se dão o trabalho de dissimular as suas intenções, e rivalizam entre si em audácia contra a augusta majestade de Deus. É publicamente, a céu aberto, que empreendem arruinar a Santa Igreja , a fim de, se possível fosse, chegarem a despojar completamente as nações cristãs dos benefícios de que são devedoras ao Salvador Jesus Cristo.” (Papa Leão XIII, A sociedade dos mações, Carta Encíclica Humanum Genus, 2, o negrito é meu.)

“Nossos predecessores bem depressa reconheceram esse inimigo capital no momento em que, saindo das trevas de uma conspiração oculta, se lançava ao assalto em pleno dia. Sabendo o que ele era, o que queria, e lendo por assim dizer no futuro, eles deram aos príncipes e aos povos o sinal de alarma, e os alertaram contra os embustes e os artifícios preparados par a surpreendê-los.” (Papa Leão XIII, Exortações dos Romanos Pontífices , Carta Encíclica Humanum Genus , 4). E o papa Leão XIII cita encíclicas dos papas Clemente XII, Bento XIV, Pio, Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI e Pio IX.

Posição atual da Igreja

É irrevogável a posição da Igreja, já ouve muita discussão promovida principalmente pela falsa convicção enveredada de Dialogo ou Ecumenismo, um fato que aconteceu, chama muito a atenção as declaração de 28 de abril de 1980 da Conferência Episcopal Alemã sobre a pertença dos católicos à maçonaria. Esta declaração explicava que, durante os anos de 1974 e 1980, foram se mantendo numerosos colóquios oficiais entre católicos e maçons; que por parte católica tinham sido examinados os rituais maçônicos dos três primeiros graus; e que os bispos católicos tinham chegado à conclusão de que havia oposições fundamentais e insuperáveis entre ambas as partes: “A maçonaria diziam os bispos alemães não mudou em sua essência. A pertença à mesmas questiona os fundamentos da existência cristã.”

As principais razões alegadas para isso foram as seguintes: a cosmologia ou visão de mundo dos maçons não é unitária, mas relativa, subjetiva, e não pode se armonizar com a fé cristã; o conceito de verdade é, também, relativista, negando a possibilidade de um conhecimento objetivo da verdade, o que não é compatível com o conceito católico;

Também o conceito de religião é relativista e não coincide com a convicção fundamental do cristão, o conceito de Deus simbolizado através do “Grande Arquiteto do Universo” é de tipo deístico e não há nenhum conhecimento objetivo de Deus no sentido do conceito pessoal de Deus do teísmo, e está impregnado de relativismo, o qual mina os fundamentos da concepção de Deus dos católicos.

As condenações mais recentes da Igreja podem aqui ser encontradas.

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