Cristãos, curdos e árabes se unem na Síria para combater Estado Islâmico

A aliança foi selada e irá chamar-se Forças Democráticas na Síria. Inclui as YPG, as milícias curdas que têm combatido eficazmente os jihadistas no norte da Síria, e diversos grupos sírios árabes além de cristãos assírios, refere o documento hoje publicado e que atesta a formação da aliança. O texto, enviado à Agência Reuters por um porta-voz do YPG, refere “a fase sensível que o nosso país a Síria está a atravessar e os rápidos desenvolvimentos nas frentes políticas e militares”, como impulso para a união.

O comunicado não refere explicitamente a intervenção aérea russa iniciada há 23 dias em apoio às tropas governamentais do Presidente Bashar al-Assad, as quais, apoiadas no terreno pelo Irão, lançaram entretanto uma campanha contra os rebeldes, em Idlib e em Hama. São “desenvolvimentos” que “requerem a existência de uma força militar nacional de todos os sírios, unindo curdos, árabes, siríacos e outros grupos”, explica o documento curdo. Os grupos árabes, que operam no terreno sob o nome “Coligação Síria Árabe” e com quem o YPG já se uniu na sua campanha em Raqqa, incluem os Jaysh al-Thuwwar (“Exército dos Rebeldes”) e o grupo tribal árabe Jaysh al-Sanadeed.

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De acordo com a Agência Reuters, desde o início do ano as milícias das YPG – Unidades de Proteção Popular – entraram profundamente no governorato de Raqqa, dominado desde 2013 pelo Estado Islâmico. Pararam contudo antes de atacar a capital da província, Raqqa, assumida como quartel-general e capital síria do EI, dizendo que queriam que os rebeldes árabes sírios liderassem o assalto.

Ataque a Raqqa

Deverá ser este o primeiro alvo da aliança militar hoje formada. Fontes norte-americanas confirmaram à Reuters que a Coligação Síria Árabe vai avançar sobre Raqqa, mantendo-se na margem leste do rio Eufrates. Uma garantia que as forças curdas também irão manter-se nessa zona, pormenor que poderá sossegar a Turquia, preocupada com a influência das YPG na sua própria população curda separatista.

A união na Síria poderá ainda ser garantia aos árabes de que os curdos pretendem mais do que lutar pelo reconhecimento da sua pátria, o Curdistão. Isso mesmo foi confirmado à Reuters por Nasir Haj Mansour, um responsável do ministério da Defesa da administração curda no território controlado pelo YPG. “O objetivo prático atual é confrontar o Daesh”, referiu Mansour, usando a sigla árabe que designa o grupo Estado Islâmico, “dado que é o primeiro inimigo”. Ao telefone com a Reuters, o responsável curdo admitiu contudo que “o objetivo é também estabelecer uma Síria democrática no futuro”.

“Dado que estas forças em geral são democratas e seculares que acreditam em grande medida na diversidade, esperamos que recebam o apoio” da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, referiu ainda Mansour.

Apoio americano

A expectativa não é infundada e já começou a realizar-se. Até agora, as milícias curdas têm sido as mais eficazes aliadas terrestres dos ataques da coligação internacional contra o Estado Islâmico. E os norte-americanos desistiram há semanas de um programa de treino de combatentes árabes sírios, devido aos custos proibitivos e fraca adesão de candidatos após uma apertada triagem.

Washington mudou de estratégia e apoia agora os grupos árabes no terreno que lhe merecem confiança. Um grupo tribal rebelde sírio confirmou que os Estados Unidos se preparavam para fornecer armas à aliança curdo-árabe-assíria, para o assalto a Raqqa. “Reunimos com os americanos e isto foi aprovado e disseram-nos que estas novas armas, incluindo armamento sofisticado, estão já a caminho”, disse Abu Muazz, porta-voz da Frente Revolucionária de Raqqa, que inclui diversos grupos da área de Raqqa que combatem o EI e se incluem nas Forças Democráticas Sírias. Um porta-voz do comando das forças americanas no Médio Oriente (Centcom), confirmou depois o envio do armamento, via para-quedas e “bem conseguido”. A entrega “forneceu munições aos grupos árabes sírios cujos responsáveis foram objeto de verificações apropriadas pelos Estados Unidos”, afirmou o coronel Patrick Ryder em comunicado.

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