Espécie distinta ou humano microcéfalo?

A saga do “hobbit” da ilha de Flores, um suposto hominídeo (humano ancestral) da Indonésia, acaba de sofrer mais uma reviravolta digna de “O Senhor dos Anéis”. Uma análise dos ossos do pulso do possível hominídeo-anão indicaria que ele realmente é membro de uma espécie diferente da nossa, e não um simples Homo sapiens com problemas sérios de desenvolvimento. 

O novo golpe nessa “guerra dos hobbits” foi liderado por Matthew Tocheri, do Programa de Origens Humanas da Instituição Smithsonian (Estados Unidos). Em artigo na prestigiosa publicação especializada Science [da semana passada], Tocheri e seus colegas estudaram o chamado LB1, fóssil de 18 mil anos que ajudou a dar aos “hobbits” o status de uma nova espécie, Homo floresiensis.

A equipe de cientistas australianos e indonésios que desenterrou o LB1 da caverna de Liang Bua, na ilha de Flores, estimou que a criatura teria apenas 1 m de altura, um cérebro do tamanho do que os chimpanzés possuem hoje e o domínio do fogo e de ferramentas de pedra. Para eles, o H. floresiensis descenderia de hominídeos maiores que acabaram ficando isolados e encolhidos em Flores – fato que é comum entre animais que colonizam ilhas. O apelido de “hobbit” é uma referência à variedade humana também diminuta à qual pertencem os heróis dos clássicos de fantasia “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, do escritor britânico J.R.R. Tolkien. 

A teoria, no entanto, tem sido cada vez mais desafiada. Para outros cientistas, o cérebro do hominídeo nanico seria pequeno demais, sugerindo na verdade algum tipo de doença genética da família das microcefalias (nas quais a caixa craniana e todo o corpo da pessoa encolhem brutalmente). Assim, para eles, o Homo floresiensis não passaria de um humano moderno com microcefalia. 

Tocheri e companhia tentaram averiguar essa hipótese investigando um detalhe aparentemente insignificante da munheca do espécime. Acontece que os ossinhos do pulso são muito diferentes entre humanos modernos e hominídeos mais primitivos. 

Em especial, um osso conhecido como trapezóide (localizado logo abaixo do dedo indicador) tem forma de bota no Homo sapiens e nos neandertais, nossos primos mais próximos [sic]. Já entre os hominídeos mais antigos, como os australopitecos e o Homo habilis (os quais viveram há cerca de 1,7 milhão de anos [sic]), o mesmo ossinho tem forma de cunha. É a mesma forma presente, de maneira geral, também nos grandes macacos atuais. 

Ora, a comparação do osso trapezóide do LB1 com o de macacos, humanos modernos e antigos revela que, digamos, ele não era modelo 2007. Pelo contrário, tinha configuração primitiva, muito diferente da que existe em Homo sapiens e neandertais. Como não se conhecem doenças capazes de causar justamente esse efeito, a conclusão mais lógica, dizem Tocheri e colegas, é que o hobbit realmente é uma versão bastante arcaica de hominídeo, e não um humano moderno doente. 

Os adversários dessa idéia, porém, ainda não se dão por vencidos. Eis o que disse à agência de notícias Associated Press o antropólogo Robert D. Martin, do Museu Field de Chicago: “Ainda acho que o tamanho do cérebro [do LB1] ainda é pequeno demais, e esse problema continua sem resposta. As pessoas me perguntam se essas novas evidências mudam alguma coisa. Bem, não mudam. O problema é a interpretação dela.” Martin é um dos principais defensores da tese de que o hobbit era só um humano patológico.

(G1 Notícias)

Nota: É bem provável que muitos dos ditos “ancestrais humanos” tenham sido simplesmente humanos e outros, simplesmente macacos. Todos mais ou menos contemporâneos. O problema é que as pressuposições darwinistas dos pesquisadores acabam induzindo o resultado dos estudos. Eles tentam a todo custo montar a tal “árvore evolutiva”, mas a coisa está sempre mais para uma grande floresta. 

Interessante possível referência aos “homens das cavernas” é feita no livro bíblico de Jó (30:3-8). Pessoas com deformidades físicas, segregadas da sociedade “normal” (como ocorria também com os leprosos do tempo de Jesus), habitariam locais inóspitos e deixariam ali suas marcas (como pinturas rupestres). Depois, seus ossos foram encontrados e tidos como restos dos “ancestrais” dos humanos modernos. Seria o “hobbit” um tipo desses? [MB]

Escrito por Michelson Borges. Blog Criacionismo.

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