Estado Islâmico reivindica atentado em Paris com pelo menos 150 mortos

13.11.2015PARIS – Três atentados ocorreram na noite desta sexta-feira, 13 de novembro, no centro Paris. Pelo menos 153 mortos já foram confirmados pelas autoridades parisienses, além de centenas de feridos. Foram registadas pelo menos oito explosões e seis tiroteios por várias testemunhas. 1.500 soldados franceses foram enviados para as ruas de Paris. O Estado Islâmico acaba de reivindicar o ataque em Paris, avança o Correire della Sera: “Vingança pela Síria”. Os muçulmanos fizeram menções a três novos alvos: “Roma, Londres, Washington“.

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O primeiro aconteceu num bar próximo do Stade de France, no bairro de Saint Denis, onde estava acontecendo uma partida de futebol entre a França e a Alemanha. Dois indivíduos terão sido os autores do atentado e utilizaram explosivos com pregos. O Le Monde noticiou que as explosões ocorreram em três restaurantes diferentes. Milhares de pessoas que estavam nas bancadas do estádio — que tem capacidade para acolher mais de 81 mil pessoas — recusaram-se a abandonar o recinto e estiveram durante vários minutos concentradas no relvado. As explosões foram ouvidas no interior do estádio, quando o jogo ainda estava acontecendo.

O segundo atentado foi registado na Boulevard Voltaire, perto do Bataclan Café, uma das mais famosas salas de espetáculos da capital gaulesa. Três terroristas foram abatidos a tiros pela polícia francesa. Mais de uma centena de mortos foi registrada no interior da sala. Ocorreram, pelo menos, cinco explosões no Bataclan, onde os autores do atentado estiveram mais de uma hora com reféns. Uma jornalista do Le Monde que ouviu um sobrevivente noticiou que os terroristas estavam nos camarins quando a polícia entrou no edifício.

Um dos agentes envolvidos na operação de resgate relata o que viu. “Foi um massacre“. Os terroristas terão lançado várias granadas para dentro da sala de espetáculos, que pode acomodar 1.500 pessoas, escreve a BMFTV. Fontes policiais descrevem o interior do Bataclan como uma “cena do Apocalipse”. O número de vítimas pode subir.

Já o terceiro atentado ocorreu na Rue de Charonne, a cerca de 1 quilômetro e meio do local do segundo incidente. Os dois primeiros locais situam-se no 10.º bairro de Paris, enquanto o terceiro já está localizado no 11.º Arrondissement. O Stade de France dista cerca de nove quilômetros da zona onde foram registrados os outros dois atentados.

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François Hollande, presidente francês, já decretou o estado de emergência nacional e autorizou o encerramento das fronteiras, “para impedir que os culpados saiam do país”. Em comunicado, a Câmara Municipal de Paris e a polícia francesa pediram aos cidadãos para permanecerem em casa e, a saírem à rua, que seja em casos absolutamente necessários.

Barack Obama já falou em Washington e garantiu que o país “fará o for possível pelo povo francês” e para colocar “os responsáveis [dos atentados] perante a justiça. O presidente dos EUA disse que “este ataque não foi apenas contra o povo francês, mas contra toda a humanidade”. O governo português emitiu um comunicado, no qual “lamentou profundamente a situação ocorrida em França”.

O Vaticano também se pronunciou. “Estamos chocados com esta nova manifestação de loucura, de violência terrorista e de ódio, a qual condenamos da forma mais radical, juntamente com o Papa e todos aqueles que amam a paz”, disse Federico Lombardi, chefe da Sala de Imprensa da Santa Sé, citado pelo norte-americano Washington Post. “Rezamos pelas vítimas e pelos feridos, e por todos os franceses. Este é um ataque à paz de toda a humanidade e exige uma resposta decisiva e apoiada por todos nós.”

Português em Paris: “Em dez meses vivi dois ataques terroristas de perto”

Fernando estava no metro de Paris quando se deram os primeiros ataques. Debaixo da terra não sabia o que se estava a passar na cidade de Paris. Não chegou a ouvir as explosões nem os tiros e só soube do que se estava a passar quando chegou a casa, em Montrouge, já fora da capital francesa. A mulher esperava-o preocupada. Chegou em segurança, naquela zona tudo está “calmo e sereno”. Fernando abandonou o bar onde costuma encontrar-se com os colegas de trabalho cerca de 10 minutos antes dos ataques. Esse bar situa-se próximo de um dos locais afetados e os amigos de Fernando ainda estão, neste momento, “barricados no prédio da empresa” onde trabalha: “Estou longe de qualquer perigo, mas toda a gente está de algum modo assustada e chocada com tudo o que se está a passar”.

Ainda não sabe que medidas terá de tomar amanhã mas, garante, sairá à rua a menos que seja decretado um recolher obrigatório: “O terrorismo alimenta-se do medo que gera e eu não tenciono alimentá-lo”, afirma.

Não é a primeira vez que Fernando se confronta com ataques em França. O português mudou-se para Paris há cerca de três anos e seis meses e viveu de perto os ataques ao Charlie Hebdo: foi à porta da sua casa que um polícia foi atingido no dia depois do ataque à redação do jornal satírico. O prédio onde vive chegou a ser vasculhado, já que a polícia suspeitava que o autor do ataque ainda estava na região. Passaram dias até descobrirem que ele se teria escapado para a zona de Vincennes. Por causa da proximidade, Fernando diz que os ataques do início do ano foram “mais complicados”, mas hoje o português volta a questionar a opção de trabalhar em Paris: “Particularmente quando dois ataques terroristas ocorrem próximos de mim: um onde vivo e outro de onde trabalho, num espaço de 10 meses”, diz.

Chappatte, um famoso cartonista, já retratou os atentados de hoje:

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Última atualização às 00:25 (Horário de Brasília) de 14.11.2015.

Comentários

2 Comentários

  1. Foto de perfil de Didier Didier disse:

    Primeira mídia online a noticiar a autoria do Estado Islâmico. As grandes mídias realmente querem, à todo custo, limpar a barra dos muçulmanos.

  2. Ivani Medina disse:

    Existe sim uma realidade insofismável: George W. Bush é lembrado como seu deflagrador, porém Carlos Martel é esquecido como seu contentor. A realidade primeira não dá para ser substituída pelas posteriores. A ânsia ideológica precisa ser peneirada dessa história. Ela não deu certo.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/combatei-os-deus-os-castigar-por-interm-dio-de-

    http://www.dreuz.info/2015/11/18/il-faut-ecouter-le-sermon-de-limam-khattabi-a-la-mosquee-de-montpellier-le-jour-des-attentats/

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