FHC, o último grande presidente do Brasil

Que eu sou um causador de polêmicas, isto eu já sei. Semeio as minhas provocações, mas todas elas baseadas em concepções claras e argumentativas e não em paixonites de juventude ou esquerdismos patológicos. Com a não eleição de Aécio Neves – o que o tornaria um grande estadista, assim como o seu avô seria, caso não ocorresse a tragédia que ocorreu – em 2014, não posso negar que a presidência da República Federativa do Brasil esteve, pela derradeira vez, em mãos de um verdadeiro estadista com Fernando Henrique Cardoso.

FHC-Portal-Conservador

 

Não menosprezo os ganhos sociais posteriores. Não digo que não houveram avanços e grandes técnicas foram usadas. Mas com FHC, como é conhecido, o Brasil saiu de uma condição precária para uma economia sólida e sem riscos. A sua equipe econômica, sob o governo de Itamar Franco, proporcionou a estabilidade da moeda brasileira que seja sempre a mesma assim como o dólar ocupa até hoje, desde o início dos EUA, a condição monetária. Teve que fazer um governo impopular e austero, mas conseguiu fazer despencar a inflação e a especulação que sufocavam o povo brasileiro, em outras palavras, remediou a economia desse país até o ponto de ser possível falar-se em questões sociais sendo contempladas – não se distribui renda sem renda e esse foi um mantra de seus dois governos.

Conseguiu, com o ônus de fechar a torneira para concursos, poder reequilibrar as finanças para quem viesse depois pudesse ousar e continuar de onde foi parado. Eram anos difíceis. de 1998 até 2002 nós tínhamos instrumentos democráticos ainda precários. O Código Civil é de 2003 (entrada em vigor), a Constituição Federal tinha apenas 10 anos de existência, somente há 13 anos tínhamos visto acabar a ditadura no país. Ou seja, o rastro da ditadura era grande o suficiente para fazer com que qualquer governante arriscasse o pescoço para poder promover a paz social. Tinha do lado uma excelente mulher, ativa e independente, que foi a dona Ruth Cardoso, que não apenas pousava para fotos e companhia, mas agia em verdadeiras realizações sociais que foram aprimoradas posteriormente.

Por essas e outras razões eu não pestanejo em dizer: por toda a sua cultura social, experiência com países vizinhos durante o exílio, com a sua sensibilidade para governar, e com a sua dinâmica política, FHC foi o último grande presidente que o Brasil teve. Muitos falarão de arrocho. Muitos criticarão por medidas contra o funcionalismo público. Mas o que dizer agora? Como se expressar agora? Como ver agora escândalos atrás de escândalos na Petrobras e tudo? Uns chama-lo-ão de príncipe da privataria, coisa enganosa e grotesca. Privatizações são instrumentos necessários, especialmente em países em desenvolvimento, principalmente porque o governo não pode ser sobrecarregado. A sobrecarga no governo dá no que deu nos últimos 12 anos. Aparelhamento e um orçamento tão caro que tem que ser mudado por não conseguir ser cumprido. Quem viveu mais que 25 anos sabe que deixar o Brasil como ficou para os governos petistas, não foi tarefa fácil e o que se vê agora é um quadro semelhante ao desfazimento de tudo feito em 8 anos de governo FHC. Não é à toa que, num discurso contundente, fala em vergonha de falar do que há na Petrobras.

Muitos acusaram que seu governo tinha um engavetador geral da República, poucos se referem ao atual procurador geral da mesma forma, devido aos diversos escândalos não julgados, não cumpridos, não apreciados e não solucionados. E quanto ao engavetador tucano não se desengavetou nada por iniciativa do MP que assumiu posteriormente. O que fazer? Negar o presente? Devido a tais fatos não provados diante de fatos comprovados com quais você ficaria? Em sã consciência com os comprovados. Por isso não vejo essa mácula pesar sobre o governo FHC como querem colocar.

Experiência, vivência, talento e arrojo para enfrentar um povo sedento de tudo e que não poderia ter porque as contas não batiam, o governo FHC inovou e é extremamente menosprezado historicamente. Se Lula colhe até hoje louros que não são seus, FHC está por detrás de todas as condições propícias ao PT. Precisamos reconhecer o óbvio. Precisamos reconhecer o certo. Precisamos reconhecer que um governo como o de FHC não foi populista, mas especialmente necessário para o país naquele momento. Daí a minha necessidade de escrever essas polêmicas linhas, mas não me canso de falar de política sem o ranço esquerdista e por isso afirmo o que afirmo sem medo de errar. Quem pensa que governar um país recém saído de uma ditadura que o faça. Eis o meu desafio. No demais FHC foi o último grande presidente desse país e tenho dito.

Escrito por Eustáquio Silva¹.

¹Colunista, é social-democrata, formado em filosofia pela UFPE.

Comentários

8 Comentários

  1. Anderson disse:

    Acho que um assunto desses não deveria ser tratado neste site, que é de Direita.

    FHC é de esquerda, e nos últimos tempos tem adotado uma postura cada vez mais radical, como se estivesse querendo ser marxista.

    Não entendo como foi feito um texto para exaltar a figura do ex-presidente, que em nada tem de semelhante com as ideias do site, inclusive, ele vai pelo caminho oposto aos pensamentos da Direita, ignorando-os e atacando-os.

    • Foto de perfil de Didier Didier disse:

      O Portal não está “esquerdando” por dizer o óbvio. FHC é o último grande presidente do Brasil. Seu trabalho à frente da economia do país foi mesmo estrondoso – e é neste ponto que o artigo quer tocar – ao ponto do próximo governo, o do PT, poder falar em avanços sociais. Ele não é imune às críticas e o próprio Portal já publicou inúmeros outros posts “descendo a lenha” no FHC e nos sociais-democratas do PSDB.

      • Anderson disse:

        Sim, eu sei que o site não está mudando de seta, aliás, meu comentário não foi baseado nisso, eu apenas falei que não entendia o motivo de publicar algo que não é afim com a Direita.

        Creio que nós, seguidores da Direita, não precisamos de baseamento no “quintal dos outros”. Se o foco do site é na divulgação das ideias de Direita, logo, não faz sentido falar das ideias/conquistas/figuras de Esquerda.

        O que acho é que o texto foi algo desnecessário para o Portal Conservador. Às vezes, pessoas “neutras”, que ainda não se decidiram politicamente, encontram o Portal, e não seria nada legal que um “paraquedista” caia num artigo que não é de Direita, que não expressa os valores e pensamentos do site. Eu, por exemplo, iria indicar o Portal para um colega que se tornou, recentemente, adepto do bom caminho, assim como Burke, Chesterton e Kirk, porém, ao ver o tal artigo exposto na primeira página, fiquei receoso, pois o que ele pensaria? É algo que não faz sentido para um local como esse.

        • André disse:

          Concordo integralmente com o que você disse. FHC não é nem para ser tomado como exemplo em um portal de direita. Isso, ao invés de demonstrar exemplos de pessoas, é melhor deixar a figura do FHC excluída, até por que se juntarmos todas as peças veremos que ele ajudou e muito a esquerda latino-americana, o mesmo repassou várias verbas para países que estavam em ascensão esquerdista, sem falar que na época de FHC, o então procurador-geral da república engavetou mais de 600 processos contra o PSDB. O PSDB é a mesma merda do PT. O problema é que até entre a direita brasileira ainda existem muitas pessoas que possuem um pensamento confuso e sem embasamento sobre o conceito de direita e esquerda e por isso eles se perdem no PSDB.

  2. D. F. Beck disse:

    Sem dúvidas, o melhor presidente que já tivemos. A República não é lá tal coisa, porém, FHC foi o melhor presidente que já tivemos! Sem dúvidas, se fosse numa Monarquia Parlamentar, ele seria o melhor PM (Primeiro Ministro)! Super competente para Chefe de Estado!

  3. Breno disse:

    Não entendo é todo esse tabu com o funcionalismo público. Deviam ser demitidos como qualquer outro trabalhador desse país. Funcionário público e concurseiro são a praga desse pais.

    • Luis disse:

      Funcionários públicos e concurseiros não são a “praga” do País, mas tão somente a consequência de uma política estatizante, que empodera o “deus” Estado acima de tudo e todos. Numa condição destas (praticamente capitalismo de Estado, ou fascismo), a iniciativa privada fica sufocada e restrita. Como consequência lógica, os cargos públicos se tornam mais atraentes pelos salários e estabilidade. As pessoas vão para o lado que paga mais e que dá segurança, especialmente num ambiente econômico instável como o nosso. Quanto ao fundamento da estabilidade, pense em um servidor público que precise multar, ou tomar outra providência, que vá contra o interesse de alguém influente. Ele ficaria obviamente intimidado. Imagine um chefe de órgão público com poder de demitir quem ele bem entenda. Voltaríamos ao auge do clientelismo de outrora. Uma coisa é ser funcionário de uma empresa, onde o que importa é o bom desempenho da mesma. Outra é atuar em nome do Poder Público, ou seja, ter a capacidade de interferir na vida dos administrados. São situações distintas. Por outro lado, concordo que a estabilidade do funcionalismo não é a solução ideal, mas considerando a podridão moral e cultural do Brasil, é um mau necessário.

  4. alysson disse:

    Pensando economicamente, sim! Foi um bom presidente, porém, seguiu toda a agenda revolucionária vinda da ONU e quando juntamos as peças – de fato – sabendo que ele veio da USP junto com Marilena Chauí e CIA, todos da mesma época e que eles criaram o LULA e seu populismo através do PT, ai toda essa pose cai e vemos que a “democracia” brasileira é uma farsa – ajudada e muito pelos militares. Lula só complementou o governo FHC e este fez o que Lula não poderia ter feito – como exemplo a retirada de vários direitos dos militares – e a tentativa do malfadado e engenhoso PNDH-3 – sendo o primeiro foi de 96. Assim FHC nada mais fez que seu papel e lugar histórico que é sua subordinação ao PT.

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