O que você não sabe do jovem muçulmano preso por levar relógio em escola nos EUA

“Menino muçulmano preso por criar um relógio e levar para a escola”. Vamos aos fatos que a imprensa não vai te contar e que tornam a história toda mal contada e estranha:

1. Ahmed Mohamed, 14 anos, muçulmano filho de sudaneses e morador da cidade de Irving, no Texas, apareceu na escola, sem avisar ninguém, com uma mala preta. Dentro da mala, uma placa-mãe, fios e outras peças eletrônicas que, para um não-especialista, poderiam perfeitamente ser confundidos com uma bomba.

2. O adolescente leva a mala para o professor de eletrônica, que pede para ele não ficar circulando com a mala pela escola. Ele desobedece o professor e leva a mala-relógio para a aula de inglês. O trabalho não foi solicitado por ninguém, o aluno fez o relógio sem avisar o professor ou pedir qualquer assistência, não era feira de ciências, nada.

3. Durante a aula de inglês, a mala começa a fazer sons e a professora se assusta, quer entender o que está acontecendo mas o rapaz não esclarece. A professora então chama a segurança da escola, que aciona a polícia.

4. Ao interrogar o estudante, a polícia relata que ele estava agressivo e não esclareceu que a mala era um relógio, o motivo de ter levado a mala para a escola ou que já havia mostrado ao professor de eletrônica. Os policiais disseram que conversaram com Ahmed e que ele se recusou a dar qualquer explicação sobre o que seriam os dispositivos dentro da mala. O rapaz acabou sendo levado para a delegacia.

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5. No Texas, fingir que está carregando uma bomba é crime previsto em lei. Qualquer cidadão que causar medo, constrangimento ou pânico ao portar uma bomba falsa está cometendo um crime. A única desconfiança dos policiais, o tempo todo, era que o rapaz estivesse querendo fazer uma pegadinha ou causar pânico com uma bomba falsa. Na delegacia, simplesmente liberaram o rapaz, que acabou não sendo acusado de nada.

6. Barack Obama adorou a história e publicamente convidou o jovem muçulmano para fazer uma visita à Casa Branca. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, publicou um texto dando apoio ao rapaz, assim como a NASA e Hillary Clinton. O Twitter ofereceu um estágio para ele. Sua resposta foi que estava surpreendido por não acreditar que as pessoas se importassem com um jovem muçulmano. Certo.

7. A imprensa e a esquerda estão fazendo um carnaval sobre a suposta “islamofobia”. Nesse caso, todos os elementos de uma ação publicitária de marketing de guerrilha estão lá: o menino inofensivo, com jeito de nerd e amante das ciências e do saber, contra os texanos brancos, racistas, broncos, cristãos e inimigos da ciência e do conhecimento, junto com a polícia truculenta e preconceituosa.

8. Alguns fanáticos por eletrônica resolveram olhar a foto do interior da tal mala e há uma desconfiança que nem seja um relógio feito por ele. Tudo indica que é um kit pré-fabricado, dos anos 70, que se compra com facilidade pelo eBay. Nada de genial ou revolucionário. Veja mais detalhes aqui: http://bit.ly/1iXpY53

9. O pai de Ahmed, Mohamed Elhassan Mohamed, é um imigrante sudanês que fez o sonho americano. Chegou na América sem nada e hoje é um próspero empresário, dono de vários negócios, inclusive uma assistência técnica de computadores. A imprensa resolveu, por motivos ainda não perfeitamente esclarecidos, não falar praticamente nada dele, mas ele é um elemento-chave na história.

10. Mohamed Elhassan Mohamed é um ativista muçulmano que está sempre tentando chamar a atenção da imprensa sobre supostos casos de islamofobia, já tendo até participado de debates públicos sobre o assunto. Ele se candidatou duas vezes à presidente no Sudão, se auto-intituta um “sheik” e diz ter milhares de seguidores no seu país de origem, o que fontes locais negam. Ele também se diz um líder espiritual da sua região no Texas, o que as próprias autoridades muçulmanas dos EUA não reconhecem.

11. O pai de Ahmed é também ligado à CAIR (Council on American–Islamic Relations), principal grupo de lobby muçulmano nos EUA, cuja função é exatamente influenciar a opinião pública sobre temas relativos à comunidade islâmica. O CAIR tem ligações com a Irmandade Muçulmana e com o Hamas. Seus críticos dizem que a especialidade do CAIR é “vitimologia”, fabricar casos de “islamofobia” para sensibilizar a imprensa e os formadores de opinião.

Tudo é muito nebuloso e é inegável que a possibilidade de ter sido tudo uma ação de marketing de guerrilha não pode ser descartada no momento. No tempo em que havia imprensa, é provável que a história fosse devidamente investigada, mas infelizmente hoje só a versão oficial será repetida pelos palhaços que lêem o NYT de manhã e acham que seus resumos na TV são qualquer coisa parecida com jornalismo.

Escrito por Alexandre Borges.

Comentários

8 Comentários

  1. Foto de perfil de Didier Didier disse:

    – The Real Story – Ben Shapiro http://www.breitbart.com/…/2015/09/18/real-story-istandwith…

    – “Sheik” Mohamed Elhassan Mohamed debatendo na TV https://youtu.be/N8BLtBFeyyo

  2. Mauro Oliveira disse:

    Muito barulho por pouca coisa, isso é fato. O menino não é um gênio. Se a placa era tão simples e básica, nem professores, nem o professor de eletrônica, nem o policial souberam que era algo simples e também fizeram um carnaval em algo simples. Deram Munição às críticas e aos oportunistas.

    O texto reclama do mal jornalismo, mas faz afirmações em cima de dados que ele mesmo não pode comprovar, então, perpetua o mal jornalismo que diz combater.

    O texto traduz o que eu critico aqui, lá na parte final

    “Tudo é muito nebuloso e é inegável de que POSSIBILIDIDADE de ter sido uma ação de marketing de guerrilha não pode ser descartada no momento

    FATO!Mão pode ser descartada e NEM PROVADA. Já que tudo ainda é muito NEBULOSO. Afirmações não podem ser feitas. E ficar remoendo esse assunto besta só vai causar mais mídia espontânea pra quem supostamente quer mesmo é fazer barulho com isso.

    • Ezequiel disse:

      O jornalismo ruim omite informações e expõe aquelas que geralmente levam as pessoas a tirarem conclusões tendenciosas ou erradas sobre o fato ocorrido.

      O texto nos deu 11 fatos que a impressa não divulgou e falou apenas da possibilidade de uma “armação” diante dessa omissão de fatos e também de que isso só pode favorecer um determinado grupo político.

  3. Davi Rodrigues disse:

    Mas vai dizer que o fato dele ser muçulmano não fez as pessoas desconfiarem logo que era uma bomba? Ah, vocês são muito partidários em? E se não postarem meu comentário são uns idiotas contra a liberdade de expressão.

    • Foto de perfil de Didier Didier disse:

      Acredito que isto contribuiu sim. O problema, que está sendo discutido no artigo, é o fato da mídia ter tornado o fato nacional (até internacional, como está acontecendo agora) para promover uma defesa injusta em torno da religião muçulmana, tudo com dedo do CAIR (lobby muçulmano). É o tal do discurso da “luta de classes”: o jovem muçulmano amante da ciência contra os texanos ignorantes e preconceituosos. Mais casos como esse tem o poder de reverter uma péssima imagem para uma boa imagem, quiçá transformando os EUA em um país que se sentirá obrigado à importar “refugiados” (+ terroristas, como noticiado no site) aos milhares.

  4. Matheus disse:

    Ah claro… Pq todo cidadão americano precisa de permissão ou de uma feira de ciências pra construir aparatos na garagem de casa e a América é um país lindo e nada preconceituoso… Experimenta ficar parado num aeroporto por 48h… Repara se os muçulmanos não são vistos com olhares tortos. Na real, acusaram o garoto de ter usado um kit dos anos 70 sem provas consistentes (hurr durr especialistas viram uma foto e disseram que parece. Volte pra faculdade), também acusaram o garoto simplesmente por não querer deixar a mala dele escondida (poxa cara, acho que ninguém vai trabalhar segurando uma maleta por aí, especialmente preta, né? Nem em filme a gente vê isso, Jesus que crime), bolaram essa teoria de que foi tudo uma armação sem terem provas conclusivas (a maioria dos juízes pediria mais do que esse achismo pragmatizado). E pra terminar ainda tentaram afirmar que o garoto foi usado como ferramenta pelo pai, mas também não conseguiram provar. Já que estamos falando de leis, deveriam saber que acusações sem provas são infrações graves, especialmente num caso desses. Se duvidam do garoto, se dêem o privilégio da DÚVIDA, só invés de atribuir certeza a algo que não conseguem.

  5. Anderson disse:

    Deixa ver se entendi. Uma criança presa algemada e incomunicável não é nada demais? Se ele não era nenhum gênio então tá tudo bem? Se o pai dele era rico e ativista político então está caracterizado um golpe midiático? Ahhhhh, entendi então…

    • Leandro Santos disse:

      Bem ele cometeu crime no estado que ele mora, isso é fato.

      Ficar 48 horas parado em algum lugar ou circulando este mesmo local causaria sim detenção ou investigação de qualquer guarda ou sistema de segurança.

      Muçulmanos já estão com a imagem muito borrada, então não vamos procurar mais motivo ok?

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