Os 6000 anos da ‘Eva mitocondrial’

Provavelmente já ouviram falar da “Eva mitocondrial“. Se não ouviram, ainda vão a tempo. Há alguns anos, com base na genética, os cientistas concluíram que todos os seres humanos descendem de uma única mulher – a chamada Eva mitocondrial. Com base no ADN mitocondrial que, pelo que consta, apenas é transmitido pela mãe, conseguiram afunilar todos os seres humanos até uma só mulher.

ADN-mitocondrial

Antes de continuar, convém dizer que os evolucionistas não acreditam que a Eva mitocondrial era a única mulher à face da Terra, naquela altura. Eles acreditam que ela foi a única mulher que produziu uma linhagem directa de descendentes até ao presente dia mas que co-existiu com outras mulheres.

Os criacionistas sempre rejubilaram com esta descoberta científica, pois reforça o que a Bíblia diz acerca da verdadeira história das origens:

“Chamou Adão à sua mulher Eva, porque era a mãe de todos os viventes.” (Génesis 3:20)

Uma das formas de os evolucionistas desconsiderarem este facto era afirmar que o relógio mitocondrial indicava que a Eva mitocondrial tinha vivido entre 100 a 200 mil anos. Lá se ia assim a história dos 6000 anos bíblicos. No entanto, este é um dado model-dependant, isto é, é necessário assumir a Evolução para estes números surgirem.

Como surgiram estas datas?

Como em todas as teorias das origens, como ninguém estava lá no início para accionar o cronómetro, é necessário assumir certas coisas.

Ocorrem mutações no ADN mitocondrial. Assumindo uma taxa de mutação relativamente constante, é possível usar estas mutações como um relógio biológico. Este relógio foi calibrado tendo em conta a crença de que os humanos e os chimpanzés partilham um ancestral comum. Por exemplo, crê-se que ambos partilharam um ancestral há X milhões de anos. O número de diferenças entre o ADN mitocondrial de um chimpanzé e de um ser humano é Y. Logo, a taxa de mutação é de Y/X. A partir deste valor, faz-se a extrapolação.

Uma data impensável

Alguns anos depois de se ter chegado a esta data, um novo estudo genético veio lançar para a mesa um número tabu para os evolucionistas. Baseando-se no ADN de um antigo czar russo, os investigadores descobriram que talvez o ADN mitocondrial esteja a sofrer mutações 20 vezes mais rápido do que se pensava [*1].

Os autores também fazem referência a um outro estudo onde os investigadores sequenciaram 610 pares de base do ADN mitocondrial de 357 indivíduos de 134 famílias diferentes e repararam que as mutações ocorrem com muito mais frequência do eles pensavam. Estudos evolutivos anteriores fizeram os investigadores pensar que iriam encontrar uma mutação a cada 600 gerações (uma a cada 12.000 anos). No entanto, ficaram “estonteados” por encontrarem alterações em 10 pares de base, o que dá uma mutação a cada 40 gerações (uma a cada 800 anos).

Mais para a frente, o artigo apresenta a controvérsia [meu destacado]:

“researchers have calculated that “mitochondrial Eve”–the woman whose mtDNA was ancestral to that in all living people–lived 100,000 to 200,000 years ago in Africa. Using the new clock, she would be a mere 6000 years old.” – (Os investigadores calcularam que a “Eva mitocondrial” – a mulher cujo mtADN foi ancestral de todos os seres humanos – viveu entre 100.000 a 200.000 anos atrás em África. Utilizando o novo relógio, ela teria uns meros 6000 anos)

Os autores tratam de salientar que “ninguém pensa que esse é o caso“, não vão os seus pares pensar que eles são criacionistas e vedar o acesso às publicações científicas e a uma carreira estável numa universidade. Fica claro, mais uma vez, que o que se está a discutir são visões do mundo e não evidência científica. “Ninguém pensa que esse é o caso” porque os autores são evolucionistas e, como tal, não podem pensar que esse é o caso.

CONCLUSÕES

1) Esta nova data de 6000 anos para a Eva mitocondrial é consistente com o relato bíblico sobre a primeira mulher que viveu na Terra. Apesar de não provar a Eva bíblica, é consistente com ela e foi algo que não foi previsto pelos evolucionistas;

2) As datas antigas atribuídas, primeiramente, à Eva mitocondrial deviam-se ao facto de se utilizarem crenças evolucionistas para calibrar os relógios moleculares. Utilizando as taxas de mutação actuais de seres humanos, a data obtida bate em cheio com a Eva bíblica – a mãe de todos os seres viventes;

3) Um cristão nunca deve duvidar da Palavra de Deus apenas porque as circunstâncias do momento parecem ir contra o que ela diz. A Eva mitocondrial foi de 200.000 a 6.000 anos num relativo curto espaço de tempo. Cabe agora aos evolucionistas recorrerem às suas explicações ad hoc para lançar fora este valor (sei de um leitor daqui do blogue que deve estar desejoso de apelar para as suas hipóteses auxiliares : P);

4) Nunca devemos esquecer que todos os cálculos sobre o passado não observável implicam assumir conjecturas que não são passíveis de repetição. Mesmo esta nova data assume certas conjecturas. Esta data de 6000 anos não deve ser o motivo pelo qual a nossa fé fica maior. Este dado apenas serve para mostrar que a ciência, quando correctamente estabelecida, e a bíblia, quando correctamente interpretada, nunca estarão em conflito.

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