Prêmios Nobel que defendem a harmonia entre ciência e fé

Às vezes, as notícias científicas encolhem o coração de alguns católicos, porque estes acham que elas colidem supostamente com determinados aspectos do cristianismo. É mais o “boom” cultural-divulgativo que prende a opinião pública que os argumentos científicos expostos em um e outro sentido, em todo caso inconclusivos, sobre a existência de Deus. É maravilhoso conhecer mais a natureza e os fenômenos ao nosso redor, e é preciso afastar qualquer suspeita de que estas descobertas estejam em contradição com a Revelação.

O peso de Galileu

A meu ver, o que subjaz nos preconceitos de alguns cristãos com relação à ciência é mais o complexo de culpa por alguns erros cometidos por eclesiásticos durante os 20 séculos de existência da Igreja.

Por exemplo, o caso Galileu, pelo qual alguns pontífices pediram perdão. Sobre o erro não há antídoto para ninguém, nem antes nem agora, assim como tampouco há receitas. Sobre estas, estamos muito acostumados a pedi-las no mundo católico, para economizar esforços no aprofundamento das questões.

Atualmente, há vozes científicas discordantes que negam a existência de Deus, da alma ou equiparam o ser humano a qualquer animal da escala da vida. Saber que falam partindo de suas ideologias nos poupará alguns sofrimentos. Além disso, há outros muitos que foram ou são católicos.

Nem a favor nem contra Deus

É preciso deixar claro: a ciência experimental não pode se pronunciar sobre a existência ou não de Deus, simplesmente porque seu estudo se centra na matéria e na forma de abordá-la. O que um científico pode dizer é que o que conhece dela é perfeitamente compatível com a existência de um Deus criador e, a partir daqui, continuará analisando e submetendo a matérias a provas, para desvendá-la ou aprofundar em suas leis.

Einstein-Portal-Conservador

Muitos cientistas relevantes e Prêmios Nobel manifestaram sua crença em um Deus transcendente. Pasteur (1822–1895), um dos três fundadores da microbiologia, era católico praticamente e afirmou: “Quanto mais conheço, mais minha fé se assemelha à de um simples camponês”. Einstein (1879–1955), Prêmio Nobel de Física em 1921, disse que “a ciência sem a religião fica manca; a religião sem a ciência fica cega”.

Seis anos mais tarde, outro Nobel de Física, Arthur Compton, descobridor dos raios cósmicos e da reflexão, polarização e espectros de raios-X, sublinhou: “Para mim, a fé começa com a compreensão de que uma inteligência suprema deu o ser ao universo e criou o homem. Não me custa ter essa fé, porque a ordem e inteligência do cosmos dão testemunho da mais sublime declaração jamais feita: ‘No princípio Deus criou'”.

Mais atrevido e provocador foi Max Born, outro Nobel de Física em 1954, que qualificou de “idiotas” os que defendem que “o estudo da ciência leva ao ateísmo”. Já o Nobel de Física Arno Penzias (1933-), descobridor da radiação cósmica de fundo, afirmou: “Se eu não tivesse outros dados a não ser os primeiros capítulos do Gênesis, alguns dos Salmos e outras passagens das Escrituras, teria chegado essencialmente à mesma conclusão quanto à origem do Universo que a que os dados científicos nos oferecem”.

Derek Barton (1918–1998), Nobel de Química em 1969, manifestou que não havia “incompatibilidade alguma entre a ciência e a religião, porque a ciência demonstra a existência de Deus”. Assim como Born, Christian B. Anfinsen, Nobel de Química em 1972, chamou de “idiotas” os que “são capazes de ser ateus”.

Desenvolvedor da espectroscopia do laser, pela qual obteve o Nobel em 1981, Arthur Schawlow afirmou que, “quando a pessoa se depara com as maravilhas da vida e no universo, inevitavelmente se pergunta por que as únicas respostas possíveis são de cunho religioso… Tanto no universo como em minha própria vida, tenho necessidade de Deus”.

A lista é quase interminável. Mas podemos citar alguns cientistas atuais: Francis Collins e William D. Phillips. O primeiro é diretor do genoma humano e manifestou que é “cientista crente”, porque “não acho conflito entre estas duas visões de mundo”; e deixou isso explicado em seu último livro, cujo título dispensa comentários: “A linguagem de Deus”.

Já Phillips, outro Nobel de Física em 1997, observou: “Há tantos colegas meus que são cristãos, que eu não conseguiria cruzar o salão paroquial da minha igreja sem encontrar pelo menos uma dezena de físicos”.

Há várias outras galerias de ilustres crentes das ciências (hoje parece que aludir à ciência experimental para negar Deus tem a última palavra nas conversas), razão pela qual só podemos ter medo mesmo da nossa preguiça, que nos leva a evitar qualquer aspecto da realidade. Seria um investimento de tempo gratificante para conhecer o maravilhoso mundo que nos cerca.

Escrito por Enrique Chuvieco.

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