Quando a pureza vai embora, o estado de guerra é permanente

Meu primeiro artigo no Portal, escrevia sobre “Feminismo, o câncer das relações afetivas”, mas deixarei para depois, vez que antes de terminá-lo me lembrei de uma palavra que traduz não só o avançar do feminismo e as promiscuidades inerentes a tal movimento, mas todas as brigas, discórdias e violências que permeiam a nossa sociedade: PUREZA.

Pureza é ausência de egoísmo, e caminha de mãos dadas com a modéstia. Palavras tão simples, mas que carregam um mundo inteiro de significados, e que se fossem verdadeiramente seguidas o mundo não estaria à beira de um colapso, assinado diariamente por nós mesmos.

Pureza, palavra que “vem do Latim puritia – limpidez, pureza, clareza – de purus, limpo, casto, sem mistura”. Naturalmente nascemos assim, sem qualquer mistura, puros, um livro em branco, que ao passar dos anos escolhemos quais palavras preencherão cada página. Alimentamos o nosso ego e tornamo-nos viciados em superficialidades, nos alimentamos não mais para ficarmos nutridos, mas para tapar momentaneamente o nosso vazio, pois substituímos a pureza, que nutre a alma e o corpo, pelo contentamento com o contemporâneo, que abruptamente invade dia após dia o nosso coração e tempo.

A pureza se faz presente na ternura ao falar, andar, ouvir, tocar, acolher e florescer. Florescer a vida, não a sua, mas a das outras pessoas, sem querer nada em troca, simplesmente porque o bem do outro, é o seu também; e o florescer do outro também florescer você.

A pureza cria raízes, que nutre instantaneamente a bondade e o respeito, mas todos eles em escassez. Vivemos a degradação da vida humana, onde tudo se mostra e pouco se é; e quando se é, não existe mais encanto ou mistério para traduzir as belezas que engrandecem os homens. Homens e mulheres completamente nus, não apenas de corpos, mas de vida, como se fosse uma condenação imposta na mais cruel sentença transita em julgado, amarrada aos olhos dos outros, sem qualquer resquício de temperança ao assumir a forma de um verdadeiro espectro.

A modéstia se atrela a diversas outras virtudes, como já mencionado, entre elas a pureza e a honestidade, geralmente associadas às mulheres e entre os homens, ela reflete a nobreza, honra e equilíbrio. Modéstia não diz respeito apenas ao não egocentrismo, ou vestimentas, embora também seja, mas ao comportamento. Ela é interior e se exterioriza nas ações do dia a dia, ela é a reflexão do interior de uma pessoa para o meio, os seus bons costumes e valores/crenças/ideais ou na sua ausência, os desalinhos, pobrezas, negligências e falhas. A ausência de modéstia não permite a sedução prolongada nem de corpos, quanto mais de corações… A ausência de pureza deixa-nos em estado permanente de guerra, conosco e com todos os seres vivos, numa disputa constante de poder, autoritarismo, exibicionismo e vulgaridades de todos os tipos.

Vive-se a era do “Carpe Diem”, mas será mesmo que tanta vaidade, vazio, vício e violência é saber aproveitar o tempo? Pablo Neruda, nas simplicidades de suas palavras traduz o que deveria ser aproveitar o tempo:

“Vivo para florescer outros jardins e,
sem perceber,
o meu se abarrota de rosas e manacás…
Vivo,
cada dia,
como se fosse cada dia.
Nem o último
nem o primeiro
O único…”

De nada adianta buscar humanidade, escrever páginas e páginas sobre o porquê não ser feminista, pesquisar sobre violência doméstica contra os homens, direito dos animais, marxismo, neurociência do crime e qualquer outro tema, se praticamente todos os problemas são causados pela ausência de pureza. Pureza não se implanta no coração alheio…

“Como pode o jovem manter pura a sua conduta?

Pureza é a negação á superficialidades, narcisismos e egoísmos; é disciplina para dominar e vigiar os próprios sentimentos; é a renovação constante; é a ausência de queixas;é buscar ser amável em tudo que faz e pensa. O puro confia no semelhante, não por imaturidade, mas por ausência de maldade dentro de si. O puro tem um mundo que é só dele, observa o que ninguém vê, caminha a passos diferentes dos demais, embora insistentemente se empenhe em levar mais pessoas na caminhada. Pureza é seguir os ensinamentos de Cristo, que antes mesmo de qualquer religião, é um manual de vida, de convivência, de cordialidade, de comportamento para toda e qualquer pessoa que queira ser feliz.

Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas. (Tito 1:15)
Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. (Filipenses 4:8)

Dizem que os puros sofrem, mas isso é só uma falácia! O sofrimento está em quem mente, pratica o mal, sente inveja, vive para ter, e não compreende a paz e a felicidade de ser leve e viver para contribuir com o outro. O impuro não sabe o que é amor, pois a sua vida se resume a posses, posses de pessoas, posses de objetos, posses de títulos, posses de seguidores, posses de mágoas. Os puros sentem dor, é verdade, mas pelas aflições humanas e por perceber tanta degradação que parece não ter fim. Os puros se entristecem as vezes, por não compreender a ingratidão dos homens, quando acordar devia ser motivo constante de festa.Os puros choram e muito, mas transformam cada lágrima em novas forças para consertar o mundo.

Falam que os puros e de “mãos limpas” não são deste planeta… mas é melhor não ser!

[…] “Inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida.”

Seja pura. Seja amável. Seja compreensível. Seja vida! O resto é resto…

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Sara Próton

Graduada em Direito pelo Centro Universitário Newton Paiva; Pós-Graduanda em Ciências Criminais, PUC Minas e Direito da Saúde, Faculdade Arnaldo. Pesquisadora em: Direitos do Homem, Crimes Sexuais, Direitos dos Animais e Biodireito. https://www.instagram.com/saraproton/

Comentários

1 Comentário

  1. Sara disse:

    Belíssimo artigo, uma pena que valores como esse não são mais difundidos

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