Universidade Católica de Pernambuco promoverá ato pelos 100 anos do comunismo

Por meio de seu Facebook oficial (fb.com/catolicapernambuco), a Universidade Católica de Pernambuco informou à comunidade acadêmica e à sociedade pernambucana a promoção de um evento denominado “Ato pelos 100 anos da Revolução Russa”, a ocorrer no dia 19 de outubro.

Infelizmente não encontramos mais o post original divulgando o ato (embora nada se saiba ainda, se o evento será cancelado). Contudo um print screen fora conservado por nossa equipe, o que fora divulgado inclusive pelo Movimento Brasil Livre (MBL) de Pernambuco:

Leia o Comunicado Oficial da Unicap publicado no dia 03 de outubro (endereço aqui), logo após as centenas de críticas que foram publicadas nas redes sociais contra o evento, que faz menção inclusive a São João Paulo II, uma das personalidades mais combativas do comunismo na história do século XX:

A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) comunica aos seus docentes, funcionários e alunos, bem como às pessoas de boa vontade e lucidez, sua perplexidade diante de mais uma campanha de difamação nas redes sociais, distorcendo fatos, sem conhecimento do papel de uma universidade e das circunstâncias em que os debates acontecem no campus, dentro da linha de diálogo e busca incessante da verdade.Trata-se, desta vez, de um evento organizado pelo DCE e pela ADUCAPE, instituições autônomas de representação, respectivamente, estudantil e docente, que solicitaram espaço para realização de atividades, das quais são os responsáveis diretos.

De toda sorte, a Unicap não pode ceder à pressão de nenhum grupo externo que atente contra a liberdade institucional, muito menos ficar refém de movimentos que ignoram a nossa missão de instituição universitária autônoma, católica segundo as orientações da Igreja, jesuíta segundo a pedagogia inaciana do discernimento aberto e comunitária segundo as leis do Brasil.

Sabemos que isso vem acontecendo em outras universidades, inclusive outras instituições jesuítas, no intuito de fazer pressão, com aparelhamento nas redes sociais, ameaças estranhas e linguagem pouco ética, querendo fomentar a divisão de nossa sociedade, já tão fragilizada, e também da igreja; atitudes que não somente se distanciam da verdade, mas, sobretudo, revelam o caráter de tais grupos.

O Papa João Paulo II, hoje canonizado, escreveu um importante documento, dando as orientações da identidade e missão de uma universidade católica: a constituição apostólica Ex Corde Ecclesiae, à qual seguimos, define a nossa missão em sociedade como busca incessante da verdade, o que não exclui, mas incentiva os debates aprofundados sobre os mais diversos temas de sociedade. E não poucas vezes, diante de tantos desafios, sentimo-nos confortados e animados pelo pedido do então Pontífice, o Papa Bento XVI, em seu discurso aos participantes da 35ª Congregação Geral da Companhia de Jesus, em 21 de fevereiro de 2008: “Onde quer que, na Igreja, também nos campos mais difíceis e de vanguarda, nas encruzilhadas das ideologias e nas trincheiras sociais, tenha havido e haja o confronto entre as exigências ardentes do homem e a mensagem perene do Evangelho lá estiveram e estão presentes os Jesuítas”. E, assim, reafirmou a confiança em nossa missão, nas mais diferentes fronteiras do mundo. Na linha do Papa Francisco, queremos, cada vez mais, ser uma universidade “em saída”, aberta aos problemas da cidade (o nosso campus é a cidade), às grandes questões da humanidade e aos debates que promovam a elaboração de um novo humanismo, inspirado na fé cristã, mas em diálogo com todos os homens e mulheres de boa vontade.

O Diretório Acadêmico (DA) da referida Universidade também publicou uma Nota, mas em protesto ao evento que é promovido pelo DCE da universidade em conjunto com a associação de professores:

“Boa noite, prezados colegas. Nesta oportunidade em que eu lhes falo, valho-me do primeiro comunicado presidencial do Diretório Acadêmico. Empresto, portanto, a minha voz e todos os tons que ela porventura assumir aos estudantes de Direito da Universidade Católica de Pernambuco.

Hoje, meus caros, o tema sobre o qual me posicionarei é o seguinte: a censura que os administradores da página oficial da Unicap no facebook têm infligido aos estudantes. Foi-se o tempo asqueroso em que este DA foi cúmplice de todas as mentiras que, embora ditas pelos autoproclamados guardiões da democracia, nada mais fossem do que a veneração macabra que alguns sujeitos têm por ideologias amamentadas com sangue e hipocrisia.

Mais uma vez, repito o que nós, do RENOVAÇÃO, afirmamos em Julho, quanto à postagem em que Lula foi considerado por um frei da Unicap como a reencarnação de Jesus Cristo: todas as postagens de conotação ideológica que são publicadas pela Unicap são IRRESPONSÁVEIS, DESONESTAS e ANTI-DEMOCRÁTICAS. Não à toa, elas se igualam em tudo aos regimes TOTALITÁRIOS que desgraçam tantas vidas até hoje.

No dia 02 deste mês, a administração da página da Católica deu publicidade ao “ato pelos 100 anos da Revolução Russa”, que é promovido pelo conluio do DCE com a ADUCAPE. Na postagem, o rosto de Lênin está virado para uma bandeira socialista. A mesma, aliás, que em muitos casos foi uma das últimas coisas que mais de 120 milhões de pessoas viram antes de serem brutalmente assassinadas por causa das suas condições sociais, orientações ideológicas e /ou preferências sexuais, por exemplo. Consciente disto, a esmagadora maioria do público se manifestou nos comentários com risadas, ironias e críticas que, na minha opinião pessoal, foram mais decentes do que a página, o evento e os idealizadores dele mereciam. Ora! Em seguida, os controladores da mídia social deletaram “democraticamente” todas essas críticas, ironias e risadas registradas em texto – deixaram apenas as reações de riso e raiva ao post, pois essas são impossíveis de ocultar. Além disso, o receio de que as pessoas se insurgissem contra a censura da qual foram vítimas foi suficiente para fazer os administradores bloquearem a sessão de comentários até o atual momento.

Ontem, dia 03 de Outubro, a MESMA página divulgou um texto, sendo este, porém, destinado às “pessoas de boa vontade e lucidez” – afinal, discordar, ainda que cordialmente, da ideologia que esses administradores calhordas querem institucionalizar é, para eles, um ato de loucura genuína.

Nesta nova postagem, o MENTIROSO perfil da Católica se disse perplexo diante de “mais uma campanha de difamação nas redes sociais” que distorce os fatos “sem conhecimento do papel de uma universidade e das circunstâncias em que acontecem as discussões no campus”. Entretanto, não mencionou quais foram os fatos distorcidos nem justificou com argumentos a presença das tais distorções. Fez questão, também, de “esquecer” de que não há até hoje um único registro das presenças de Reginaldo Cabral e Rodrigo Jungmann na Casa, pois, no dia 08 de Setembro, ambos palestraram no evento do DA sobre a DESIDEOLOGIZAÇÃO das estruturas sociais.

*Obs.: na ASTEPI, local que sediou o evento do dia, o Renovação e os professores tanto receberam quanto prestaram entrevistas a um funcionário da Assessoria de Comunicação (ASSECOM) da Universidade, respondendo às perguntas dele de maneira amistosa.
Ademais, diz a postagem que o campus “não pode ceder à pressão de grupos externos que atentem contra a liberdade institucional”. O que, pasmem, é até uma verdade. Contudo, ao contrário do que a página sugeriu com isto, a tal “liberdade institucional” não isenta a UNIVERSIDADE das obrigações que ela tem sobre todos os espaços que integram seu patrimônio. Nem deixa a Católica imune às consequências de quaisquer destinações nefastas que as pessoas atribuírem aos lugares que a compõem.

Enfim, como se tentasse disfarçar a falta de conteúdo de sua resposta, o autor do texto publicado no facebook oficial da Unicap mencionou o Papa João Paulo II. Talvez para enfadar a leitura com mais ladainhas. Nós, entretanto, citaremos Pio XII. Foi ele, aliás, quem editou um especial decreto a que todas as instituições “católicas segundo as orientações da Igreja” estão obrigadas a cumprir, sob pena de excomunhão. Refiro-me ao “Decreto Contra o Comunismo” de 1949, o qual estabelece, dentre os vários cânones que normatizam seu conteúdo, a proibição de qualquer autoridade religiosa de se filiar a partidos comunistas ou a, de qualquer outra maneira, favorecer esta ideologia assassina, pois ela é materialista e anticristã. De fato, reconheço a natural dificuldade de ficar a par de todas as manifestações históricas da Igreja, mas, a julgar pela laia a que pertencem os administradores, a consideração da hipótese de que eles preferem a conveniência da ignorância não me causa surpresa.

Ontem, 4 de Outubro, a mesma administração nojenta da página universitária que se diz nossa fez mais uma postagem. Esta, seu turno, foi uma “nota conjunta de repúdio contra a liberdade de manifestação e de expressão” dentro do campus. Subscreveram-na os presidentes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Victor Hugo, e da Associação dos Docentes da Universidade Católica de Pernambuco (ADUCAPE), Natanael Sarmento. Nesta manifestação, ambas as entidades afirmam que repudiam as “ações mesquinhas, patrocinadas pelos setores obscurantistas”, na medida em que atribuem a estes uma tentativa de censura e intimidação. Acrescenta, ainda, que o evento promoverá uma aula pública e um show poético musical “a propósito dos 100 anos da Revolução Russa de 1917” – o que, portanto, comprova que as intenções são de, com a aula, tratar o genocídio comunista como o meio adequado de reivindicação ideológica para, mediante a realização do show, desonrar a memória das milhões de vítimas da opressão revolucionária. Mesmo assim, aos pontos de vista de VICTOR HUGO e NATANAEL SARMENTO, os “grupos residuais e saudosos” de regimes autoritários são as pessoas que, dotadas do mínimo de bom senso, se recusam a permanecer em silêncino diante do delito de apologia criminosa (art. 287, CP) que se desenvolve no iter criminis bem diante dos olhos de todo mundo. Os sujeitos chamam quem discorda deles de “velhas viúvas da ditadura” e “senhores das trevas”, mas não sentem vergonha em suas deslavadas caras cínicas quando se afirmam defensores da pluralidade democrática ou do interesse que, embora eles digam que é público, pertence, na verdade, a siglas partidárias bandidas.

Por fim, concluo o posicionamento do Diretório Acadêmico que eu orgulhosamente lidero endereçando à reitoria da Universidade Católica de Pernambuco o pedido de que ela, no prazo improrrogável de 05 dias corridos, declare o cancelamento do dito “ATO PELOS 100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA”. Caso contrário, providências bem mais severas serão tomadas.”

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