Cardeal Sarah: a Igreja Católica não se submete aos ‘novos tempos’

“Eu faço parte daqueles – e somos muitos – que não permitirão que a pastoral substitua a doutrina”. Assim o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, declarou ao Journal du Dimanche, em uma longa entrevista. O cardeal Africano, definido como “o número quatro da Cúria”, conselheiro do Papa Francisco no que diz respeito à sua viagem à África em dezembro, se estendeu sobre os temas da família, da política e do Sínodo Ordinário e Extraordinário.

“A TRADIÇÃO É UM TESOURO.”  A quem lhe pergunta se a Igreja Católica deve abrir-se sobre temas como a comunhão aos divorciados novamente casados, uniões gays ou novas famílias, responde: “Mas a Igreja já é aberta! Os divorciados têm o seu lugar, assim como seus filhos. Mesma coisa para os homossexuais, que devem ser acompanhados em seu caminho de fé. Mas, agora se fala de abri-la ainda mais. A tradição é um tesouro a ser preservado (…). Por que a Igreja, que agora está entrando no terceiro milênio de sua história, deveria mudar? Sobre essas questões acima citadas, Deus é claro. A família é composta por um homem e uma mulher. João Paulo II falou de forma inequívoca sobre os que se casaram novamente. Eles não podem receber a comunhão.”

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“É O PAPA QUEM DECIDE”. Sarah foi nomeado bispo em Guiné há 34 anos por João Paulo II e feito cardeal em 2010 pelo Papa Bento XVI. O arcebispo emérito de Conakry é bem preciso a respeito do Sínodo: “O Sínodo não tem qualquer poder doutrinal, mas apenas pastoral. Os bispos fazem discretamente algumas propostas ao papa. Trata-se de exortações. O cuidar de alguém é tarefa da pastoral, mas a composição do medicamento diz respeito à doutrina. Em última análise, é o Papa quem decide. A doutrina é o fundamento sem o qual a casa se desmorona”.

“CONTRA A ONU”. Como africano, o cardeal tem muitas críticas a fazer ao Ocidente: “Pessoalmente, estou empenhado contra a chantagem das Nações Unidas, que quer impor o culto da ideologia de gênero aos países africanos em troca de ajuda ao desenvolvimento. Procuram impor uma visão da família ocidental. (…) Toda a moralidade, todos os valores cristãos foram relativizados. Os jovens já não têm mais pontos de referência. Não é atacando a família que se protege a sociedade. Eu diria que é o contrário. A família é a célula humana mais atacada no Ocidente, até mesmo do ponto de vista financeiro e econômico. Eu acho que, como cristão, é hora de colocar Deus no centro da sociedade.

“A IGREJA NÃO FAZ POLÍTICA”. Na verdade, neste momento o Ocidente vive “uma crise antropológica”, “uma sociedade sem Deus, uma sociedade secularizada não pode satisfazer as necessidades do homem”. Mas a Igreja não faz política, Jesus “não se ocupou com o Império Romano”, “nossa batalha é Cristo, o nosso ponto de referência é o Evangelho”. Isso não significa não se preocupar com o que acontece na sociedade. Na França, vocês se manifestaram contra a vontade de legislar e impor aos outros essa visão ocidental do mundo”. Assim como na Guiné “eu resisti a um poder que queria destruir a Igreja.” Mas a Igreja não envia mensagens políticas”, deve “formar, educar, tratar.”

“AMOR SUPERFICIAL”. Segundo o cardeal Sarah, é isso que ocorre com o Papa Francisco: “Os meios de comunicação decidiram que este Papa é político. Mas para mim não é assim. (…) Nós estamos muito contentes [por sua enorme popularidade]. Embora às vezes eu lamente que esse amor é um tanto superficial”. Os fiéis se esmagam para ver o Papa, para tocá-lo, tirar fotografia, mas logo em seguida os padres italianos constatam que suas igrejas estão se esvaziando…”

Escrito por Leone Grotti. Traduzido por Gercione Lima. Frates in unum.

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