Trump desde criancinha

Sou Trump desde criancinha. Mais precisamente, desde ontem. Se você tem alguma preocupação com os rumos do planeta, deveria ser também.

Sei de todos os defeitos de Trump, tanto os reais quanto imaginários, e lamento a estupidez dos principais comentaristas conservadores americanos que não foram apenas contra a indicação do seu nome (eu fui contra até ontem) mas apostaram no tudo ou nada e queimaram as pontes possíveis para um acordo a partir da sua nomeação. É um momento em que muitos “pundits” deveriam considerar seriamente a aposentadoria.

O treino acabou e é hora do campeonato. Não há pouca coisa em jogo nesta eleição presidencial e é bom você ter plena noção disso. Lembre do que disse Andrew Breitbart em 2012, quando muitos conservadores torciam o nariz para Mitt Romney (se você não sabe quem é Andrew Breitbart, não perca tempo com Trump agora e vá estudar um pouco): “a luta é contra eles, eu vou apoiar qualquer candidato republicano, não importa, é nós contra eles. Se você não apoia nossos candidatos, você é uma vergonha para nosso lado. Se você não ajuda nosso lado por ter restrições ao candidato, você está do lado deles.”

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Barack Obama deixará a presidência com uma coleção inigualável de crimes contra o próprio país, que vão da explosão do déficit público ao acordo com o Irã que poderá levar o mundo à Terceira Guerra Mundial, em parte com a cumplicidade de Hillary Clinton. O próximo presidente terá que reverter parte deste desastre e ainda indicar um juiz da Suprema Corte que será o fiel da balança entre direita e esquerda na mais alta instância jurídica da única superpotência do planeta.

“Ah, mas Trump pode fazer isso e aquilo”. Sim, ele pode cometer erros, mas enquanto em relação a ele trabalhamos com possibilidades e hipóteses, Hillary tem um currículo que deverá um dia não só desqualificar seu nome para qualquer cargo público como mandá-la para a cadeia. É literalmente o desastre certo pelo duvidoso. “Mas Trump já foi do lado de lá e teve posições de esquerda”. Ronald Reagan também, próximo assunto. Até Olavo de Carvalho e David Horowitz já foram de esquerda, C. S. Lewis já foi ateu, Saulo de Tarso matava cristãos antes de se tornar São Paulo. Sigamos.

Trump pode ser um idiota ou um gênio, os próximos meses dirão. Se ele é um bilionário narcisista e destemperado ou um brilhante estrategista que usou as mais novas táticas do playbook político para vencer, só saberemos com o tempo. Se Trump subitamente assumir um tom conciliatório e começar a soar como estadista, é preciso parar de dizer que ele não sabe o que está fazendo.

Num momento em que a grande imprensa, especialmente a americana, está praticamente toda virada para a esquerda e em campanha pelo partido democrata, bancar o louco para ganhar as manchetes e manipular a imprensa para abrir um canal direto com a população é simplesmente genial. Como saber se ele brincou com todo mundo para ter acesso aos eleitores menos instruídos e, após criar uma base sólida de apoio popular, vai buscar uma conciliação com os formadores de opinião, não há como saber neste momento. E aconselho que você desconfie de todo mundo que acha que sabe o que vai acontecer, especialmente numa eleição que está desafiando todas as previsões.

Um dos mais inteligentes conservadores da atualidade é Milo Yiannopoulos, o britânico que trabalha no Breitbart.com de Londres. Católico, abertamente gay e com 32 anos, é uma das vozes mais lúcidas comentando o atual momento da política americana e um defensor ferrenho de Donald Trump. Para ele, o Partido Republicano está envelhecido, perdeu a conexão com a realidade e com as bases, e só um troll como Trump para chacoalhar tudo e forçar a renovação do partido. Espero que ele esteja certo.

Agora é hora de curar as feridas da batalha anterior e se preparar para a guerra ao lado de Trump contra Hillary. Falo como alguém que apoiou Scott Walker, Carly Fiorina e Ted Cruz contra Trump, mas ele venceu democraticamente um por um por mérito e não há como não reconhecer que ele é o merecedor da vaga.

Antes de tomar uma decisão contrária a Trump apenas para não dar o braço a torcer, lembre do que disse John Milton, papel de Al Pacino em “O Advogado do Diabo” (1999): “Vanity – definitely my favorite sin.” O mundo não suportará mais quatro anos de desmandos na Casa Branca e é isso que importa.

Escrito por Alexandre Borges. Publicado originalmente em Senso Incomum.

Comentários

2 Comentários

  1. Será que Trump vai ser páreo para a Hilary?

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