Para que serve a História?

A história não é somente o adequado registro do passado. Não é, unicamente, a atividade de narrar, metodicamente, os fatos que se sucedem em uma dada sociedade nem, tampouco, a busca minuciosa nos textos daqueles fatos que se pretendem extrair. É claro que a história, como disciplina, exige esse caráter objetivo na leitura de diversos textos; contudo, o Historiador, em uma sociedade, deve desempenhar também outra função. Se não a desempenha, aliás, poderia ser facilmente confundido com um jornalista, no que concerne a narrar os acontecimentos.

Não há quaisquer dúvidas, afinal, de que o jornalista está inegavelmente ligado aos acontecimentos: o acontecimento se confunde com o jornalista, ele se vê realizado mediante esta atividade. Enquanto que no retorno ao passado, o jornalista pouco tem a informar: é nesta atividade que o historiador se vê realizado. Mas esse retorno ao passado, para muito além da objetividade, vai exigir uma análise crítica pelo qual o historiador enquadra os sistemas sociais e políticos como positivos ou negativos, obedecendo, como deve ser por nós sabido, determinados padrões. Tarefa que não pode, em qualquer momento, ser exercida por um jornalista. As metodologias e os objetivos se diferem.

Nesse sentido, por mais  que o historiador esteja atento aos fatos históricos, ele deve estar mais ainda atento às pressões do presente; tal como o jornalista o faz, apropriadamente. Não é por outra razão pelas quais os grandes jornalistas conseguem produzir uma história do presente mais competente do que a do historiador, tão absorto no passado. Portanto, cabe ao historiador, aprender, nesse sentido, com um exímio jornalista para analisar o presente.

A História, para além do seu conceito – presente nos mais variados dicionários – atua como um tribunal da realidade. É o parâmetro mais justo que já existiu ou existirá, para o estudo das sociedades do passado e para contribuir nas construções prudentes do futuro. Nesse sentido, o historiador, como verdadeiro cientista do social, deve ser sempre o último a ligar-se a utopismos de toda ordem – lembrando, com muita cautela aos seu conterrâneos, os diversos erros que selaram as sociedades do passado.

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Historiador, é bacharel em História e em Direito. Colunista político, é editor-chefe do Portal Conservador. Também escreve para o Editorial MBC. Filho de Pernambuco e conservador atuante. https://www.instagram.com/joao.cavalcanti11/ https://www.facebook.com/dr.joaocavalcanti

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