PCdoB abandona símbolos em propaganda do Movimento 65

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) apresentou sua nova identidade visual. Entre as mudanças estão as novas cores, agora verde e amarelo, e o novo nome: “Movimento 65”. Além disso, a marca não conta mais com os símbolos do martelo e da foice.

Como um dos mais tradicionais partidos da esquerda brasileira, o PC do B não só está no clima eleitoral como já tirou suas resoluções internamente desde seu último congresso, e agora lança publicamente seu programa, chamado Movimento 65. Segundo o partido uma plataforma eleitoral que “se propõe a agregar, unir e pôr em ação lideranças políticas, da classe trabalhadora e de segmentos empresariais, profissionais liberais, personalidades da sociedade civil, militantes dos movimentos sociais, pessoas que são referências de diferentes áreas de atuação”. E define ainda que se trata de uma ferramenta inovadora que traz uma nova alternativa para o eleitor brasileiro “uma alternativa inovadora e avançada, um espaço de política idônea, combativa, para que as pessoas honestas e progressistas, como você, possam se candidatar às prefeituras e às câmaras municipais em 2020”.

O programa eleitoral do PC do B foi lançado quinta (23/01) em Fortaleza, mas ficou publicamente conhecido com a divulgação de vídeo no Twitter do governador do Maranhão, Flávio Dino.

Supressão dos Símbolos

Logo à primeira vista o aspecto que salta aos olhos é a ausência dos símbolos do partido. Primeiro, as palavras “Partido” e “Comunista” foram suprimidas, sendo a primeira substituída por Movimento. Segundo, as cores vermelho e amarelo, característica dos partidos comunistas, substituídas pelo verde e amarelo. E terceiro, a ausência do maior símbolo dos partidos comunistas, desde a Revolução Russa, a foice e o martelo, que caracteriza a aliança entre revolucionários operários e camponeses foi, também, flagrantemente esquecida em prol do círculo central da bandeira nacional.

Sinal verde para todo tipo de Oportunistas

Outro aspecto é a qual público político dito movimento está direcionado. Como citado no próprio documento de lançamento, o movimento se propõe a pôr no mesmo bojo lideranças dos trabalhadores, profissionais liberais, empresários, personalidades, lideranças sociais. Ou seja, a plataforma está aberta a qualquer um que busque um cargo político. Dizendo, ainda, ser um espaço para pessoas idôneas, combativas, honestas e progressistas. Sob esse aspecto é preciso destacar a máxima velha conhecida da população pobre: na hora da eleição só tem “santo”. Ou seja, sem que haja qualquer programa político que sirva de base a atuação, o que é função de um partido que se propõe a atuar de fato para mudar a realidade dos brasileiros, o dito Movimento 65 está disposto a aceitar qualquer pessoa que deseje se lançar candidato, sabendo que estas usarão de discursos demagógicos e oportunistas para tentar se eleger, sem que seja cobrado por um determinado programa político, pois não haverá um.

O movimento ainda usa argumentos puramente demagógicos típicos da direita, para confundir o eleitor, quando caracteriza a plataforma como sendo um movimento cívico, de defesa do Brasil, de resgate da democracia, de política idônea, para pessoas honestas e patrióticas.

Os argumentos usados são tão típicos da política da direita que, se não disséssemos que se trata de uma ação do PC do B, muita gente pensaria estar lendo um manifesto eleitoral do PSDB. Mas, na verdade a intenção da direção partido é esta mesma, como já dito várias vezes no ano de 2019 por lideranças do partido, que “não podemos deixar entregar os símbolos nacionais ou entregar o país para a extrema direita”. Então, como a população brasileira parece ter se inclinado à direita, como solução para esse “problema” o partido, ao invés de apresentar uma alternativa real aos trabalhadores, se adapta à política da direita e vai ao campo da direita com as ferramentas da direita, disputar o público bolsonarista.

É sem dúvida, uma jogada de mestre, um cheque-mate, só que ao contrário. Sob intensa pressão da direita as lideranças do partido entregam as suas bandeiras e, não estão mais numa política à reboque da direita, mas sim agindo em parceria na política direitista.

Na página oficial do Movimento 65, o PC do B diz se tratar de uma inovação para a disputa eleitoral de 2020, que irá representar uma barreira aos ataques da extrema direita. Na realidade, não há inovação nenhuma na política proposta pelo partido, compartilhada por outros setores da esquerda, é na verdade a velha opção da frente ampla, uma frente com a direita, amplamente utilizada na história política do Brasil e do mundo. Só para citar dois bons exemplos, temos a frente popular criada na corrida presidencial de 1989 em que uniu em torno da candidatura de Lula, o PT, PSB, PV e o próprio PC do B, partidos estes impregnados de figuras do PMDB, como o senador José Paulo Bisol (ex-PMDB e ex-PSDB) indicado na frente a vice de Lula. Outro grande exemplo foi a frente popular francesa de 1936 que reuniu, o Partido Socialista Francês, o Partido Comunista e anarquistas, sendo uma frente para frear o avanço da revolução dos operários franceses e acabou planificando o terreno para os grupos fascistas, que só não chegaram ao poder pela gigantesca greve geral no mesmo ano.

Agora o partido dá um passo além e deixa a colaboração com o governo Bolsonaro e, parece, querer se destacar na política direitista, sendo mais bolsonarista do que o próprio Bolsonaro.

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