Quarentena, isolamento, discurso de Bolsonaro, ‘gripezinha’

Apesar do discurso horrível do Bolsonaro (o que não faz ter saudade dos discursos da Dilma), a tentativa de mostrar que a gripe precisará ser superada no “pós quarentena” é relativamente positiva, mas foi abordada de forma muito rasa e infantil, com até intriguinha com médico X ou mídia Y.

Entendo como vacilo dele no pronunciamento do dia 24.03.20:

– ir contra as próprias recomendações da equipe dele em colocar em dúvida a restrição de crianças para não irem à escola. Um dos motivos da quarentena que é justamente o retardamento da inevitável propagação do vírus e necessidade do achatamento da bendita curva de propagação, para que dê tempo para produzir respiradores mecânicos, fazer hospitais de campanha e aumentar a oferta específica em hospitais existentes, produzir máscara e tudo que é necessário de EPI, etc, Crianças, por mais que raramente podem vir a ter problemas com o coronavírus, ela inevitavelmente é um agente disseminador. Se já piolho é problema, quem dirá um vírus.

– afirmar que é uma gripezinha, sob o ponto de vista estritamente pessoal, sem demonstrar empatia com a população, afirmando que pelo seu próprio histórico ele poderia contrair a gripe e não aconteceria nada demais, algo leve.

– jogar a responsabilidade do exagero para os outros (governantes, mídia…), não mostrando que ele também exerce liderança e que haverá também exageros da equipe do Min. da Saúde (Mandetta & Cia Ltda) onde saem as recomendações para estados e municípios e que, além disso, exagerando cautela perante inúmeros pontos de desconhecimento.

Tudo já está um caos. Tudo irá piorar se não houver um discernimento com sensatez.

A quarentena ainda está de pé. AINDA NÃO É PRA SAIR. Até quando? Até que as autoridades da saúde do país tiverem a decisão de que moderadamente estaremos aptos a enfrentar esse vírus made in China, com toda essa parafernalha extra feita na correria ao que já existia antes do coronavírus nos hospitais, possuindo um norte na medicação para tratamento, etc. Este é o motivo da quarentena geral: tendo o confinamento feito com um período além do tempo de vida do vírus, o vírus se extingue.

Depois da quarentena geral, descobriu com o teste rápido que está com o vírus? Quarentena dupla pra você. O Brasil não pode parar. Não podemos nos dar esse luxo. Seguiremos MONITORANDO as fronteiras, deslocamentos aéreos e interestaduais. Vamos SIM continuar a lavar as mãos e todos cuidados necessários ao entrar em casa. Existem até previsões que teremos mais de 40 milhões de desempregados e isso mata mais que qualquer doença, fora a já apertada vida econômica que muitos autônomos ou funcionários de carteira assinada já possuem ao natural. Fechar um país inteiro por 2 ou 3 meses é bizarrice. O que foi feito em tempos do H1n1 em 2009? Aliás, o H1N1 matava 80% mais jovens do que idosos! (http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/06/gripe-h1n1-em-2009-matou-mais-que-o-estimado-diz-estudo.html)

O ponto chave é pegar os dados dos outros países e seus casos de sucesso, o Brasil seguir fazendo a sua a lição de casa, ao fazer o que epidemiologicamente falando necessita ser feito neste período de quarentena, que é o tal achatamento da curva, e seguir o pós quarentena com total precaução. O vírus vai se alastrar de igual forma, mas teremos que estar com a devida aptidão para combater os casos de gravidade disto. Em qualquer guerra, infelizmente haverá baixa e isso não é falta de empatia. Gripe mata SIM, e não é à toa que vivemos insistindo com as pessoas de baixa imunidade e brigando com nossos velhinhos pra tomarem a tal vacina da gripe anualmente. Tem mais de 60 anos e pode ficar em casa? Siga em casa.

Estamos no meio de um jogo de xadrez da vida real.

Artigo escrito por Odivan de Costa.

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